Micron ultrapassa Meta e Tesla em valor de mercado com boom da IA; quais empresas da B3 podem surfar essa onda: Intelbras, Positivo e MultiLaser?

Por
JOAO PAULO RIBEIRO CLARA
"Fundador e Diretor Editorial do portal Plotos.com e do respectivo canal de análises. Profissional certificado CEA® (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) , possui pós-graduação em...
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A corrida global pela inteligência artificial acaba de produzir mais um marco histórico no mercado financeiro.

A fabricante de chips de memória Micron Technology (MU) ultrapassou a Meta (META) e chegou a superar momentaneamente a Tesla (TSLA) em valor de mercado após divulgar projeções acima das expectativas e revelar compromissos bilionários de clientes para garantir o fornecimento de componentes voltados à inteligência artificial.

As ações dispararam mais de 18% em um único pregão, elevando o valor de mercado da companhia para cerca de US$ 1,4 trilhão.

Mas a notícia vai muito além da Micron.

O movimento reforça uma tendência que vem transformando a economia global: a explosão dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial.

E a pergunta que surge para investidores brasileiros é inevitável:

Quais empresas da B3 podem se beneficiar dessa nova corrida tecnológica?

O que impulsionou a disparada da Micron?

O mercado reagiu fortemente após a companhia divulgar uma previsão robusta para os próximos trimestres.

Além dos resultados acima do esperado, a empresa informou que já possui aproximadamente US$ 22 bilhões em compromissos firmes de clientes para fornecimento de chips de memória utilizados em servidores, data centers e sistemas de inteligência artificial.

A Micron é uma das principais fornecedoras mundiais de memórias de alta performance utilizadas em servidores de IA e sistemas da Nvidia.

Segundo a empresa, a demanda permanece tão forte que o mercado pode continuar enfrentando restrições de oferta até pelo menos 2027.

A IA não está beneficiando apenas fabricantes de chips

Durante os primeiros anos do boom da inteligência artificial, investidores concentraram suas atenções em gigantes como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet.

Agora, o mercado começa a perceber que existe toda uma cadeia de infraestrutura por trás dessa revolução.

Entre os segmentos beneficiados estão:

  • Data centers;
  • Equipamentos de rede;
  • Armazenamento de dados;
  • Servidores;
  • Segurança digital;
  • Computação corporativa;
  • Automação industrial;
  • Equipamentos inteligentes.

É justamente nesse ponto que algumas empresas brasileiras entram no radar.

Intelbras (INTB3): IA aplicada à segurança e infraestrutura

Entre as empresas listadas na B3, a Intelbras talvez seja a mais diretamente conectada ao conceito de infraestrutura tecnológica.

A companhia vem expandindo seu portfólio de:

  • câmeras inteligentes;
  • reconhecimento facial;
  • análise de vídeo com IA;
  • controle de acesso;
  • redes corporativas;
  • conectividade empresarial.

A empresa também tem reforçado investimentos em soluções integradas para cidades inteligentes, monitoramento e automação.

Embora não produza chips ou servidores de IA, a Intelbras atua justamente na camada de equipamentos que capturam, processam e distribuem dados — um dos pilares da economia baseada em inteligência artificial.

Multi (MLAS3): diversificação e exposição ao hardware

A antiga Multilaser, hoje operando sob a marca Multi, vem ampliando sua atuação além dos eletrônicos tradicionais.

Recentemente, a companhia anunciou acordos estratégicos e expansão de categorias, incluindo novas linhas de produtos tecnológicos e soluções conectadas.

O avanço da IA tende a aumentar a demanda por:

  • notebooks mais potentes;
  • dispositivos conectados;
  • periféricos;
  • equipamentos corporativos.
  • Telecom
  • Servidores

A Multi, antiga Multilaser, normalmente é lembrada por eletrônicos de consumo.

Mas existe um segmento da companhia que poucos investidores acompanham de perto.

Trata-se da Brasil Componentes, unidade industrial especializada na produção e montagem de componentes tecnológicos no Brasil.

A operação atua na fabricação de:

✔ módulos de memória RAM;

✔ SSDs;

✔ componentes eletrônicos;

✔ soluções para computadores e equipamentos corporativos.

Embora a companhia esteja distante da escala global da Micron, ela participa justamente de uma cadeia que ganha importância em um mundo cada vez mais dependente de capacidade computacional.

Nos últimos anos, a empresa também buscou ampliar sua presença em tecnologia corporativa e soluções conectadas. Embora a Multi ainda não seja uma empresa diretamente ligada à infraestrutura de IA, ela pode capturar parte da demanda gerada pela modernização tecnológica das empresas brasileiras.

Positivo Tecnologia (POSI3)

Entre as empresas brasileiras listadas em Bolsa, a Positivo é frequentemente apontada como uma das mais expostas ao crescimento da digitalização corporativa.

A companhia atua em:

  • servidores;
  • computação corporativa;
  • soluções para data centers;
  • cloud computing;
  • infraestrutura de TI;
  • projetos governamentais de tecnologia.

Nos últimos anos, a empresa também ampliou sua atuação em soluções corporativas e infraestrutura digital, segmentos diretamente impactados pela expansão da inteligência artificial.

Quanto mais empresas investirem em modernização tecnológica, armazenamento de dados e processamento computacional, maior tende a ser a demanda por soluções desse tipo.

A B3 pode ter uma “Nvidia brasileira”?

Provavelmente não no curto prazo.

O Brasil ainda está distante dos grandes polos globais de semicondutores e inteligência artificial.

Mas isso não significa que empresas nacionais ficarão de fora da transformação.

A tendência observada nos Estados Unidos mostra que os maiores vencedores da IA não são apenas os desenvolvedores de modelos, mas também as empresas responsáveis pela infraestrutura necessária para que tudo funcione.

E nesse cenário, companhias como Intelbras, Positivo e Multi podem encontrar oportunidades importantes de crescimento.

O que investidores devem acompanhar?

A explosão da Micron mostra que o mercado continua disposto a premiar empresas posicionadas no centro da revolução da inteligência artificial.

Para investidores brasileiros, vale monitorar:

✔ novos contratos corporativos;

✔ expansão de data centers no Brasil;

✔ investimentos em infraestrutura digital;

✔ soluções de automação e IA;

✔ crescimento das receitas de tecnologia corporativa.

A corrida da inteligência artificial ainda parece estar nos estágios iniciais.

E embora o Brasil não tenha uma Micron ou uma Nvidia, algumas empresas listadas na B3 podem acabar se beneficiando de forma indireta dessa transformação global.

Disclaimer: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não representa recomendação de investimento. Todo investimento envolve riscos. Faça sua própria análise antes de investir.

Site Micron: https://www.micron.com/

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"Fundador e Diretor Editorial do portal Plotos.com e do respectivo canal de análises. Profissional certificado CEA® (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) , possui pós-graduação em Ciência de Dados aplicada ao Mercado Financeiro, somando mais de 15 anos de sólida trajetória no setor de capitais. Especialista na intersecção entre modelos quantitativos e análise fundamentalista, dedica-se a traduzir a complexidade dos dados em inteligência estratégica para investidores. Sua atuação é pautada pelo rigor técnico e pela transparência, fornecendo uma visão profunda sobre a dinâmica dos ativos listados na B3 e as tendências do cenário macroeconômico global."
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