AZEV3 ou AZEV4: qual ação da Azevedo & Travassos faz mais sentido entender? Essa pergunta ganhou ainda mais força depois da forte movimentação recente dos papéis da companhia na B3.
Em 3 de setembro de 2026, a AZEV3 fechou o pregão a R$ 9,00, depois de disparar 35,54% em um único dia. Já a AZEV4 encerrou a sessão a R$ 1,51, praticamente estável no dia.
A diferença chama atenção.
Uma ação custa aproximadamente 5,96 vezes o preço da outra.
Mas existe uma pergunta ainda mais importante:
Se AZEV3 e AZEV4 pertencem à mesma empresa, por que existe uma diferença tão grande de preço?
E será que olhar apenas para o preço da cotação é suficiente para dizer qual delas está mais barata?
A resposta é muito mais interessante do que parece.
AZEV3 A R$ 9 E AZEV4 A R$ 1,51
Os preços registrados em 3 de setembro ajudam a dimensionar a diferença.
| Ação | Tipo | Fechamento em 03/09/2026 |
|---|---|---|
| AZEV3 | Ordinária (ON) | R$ 9,00 |
| AZEV4 | Preferencial (PN) | R$ 1,51 |
Isso significa que, olhando exclusivamente para o preço unitário, a AZEV3 estava sendo negociada por quase seis vezes o preço da AZEV4.
Mas existe uma armadilha nessa comparação.
Uma ação custar R$ 1,51 não significa automaticamente que ela esteja barata.
Da mesma forma, uma ação custar R$ 9,00 não significa automaticamente que esteja cara.
Para entender isso, precisamos olhar para a estrutura das duas classes de ações.
O QUE É AZEV3?
A AZEV3 representa as ações ordinárias da Azevedo & Travassos.
As ações ordinárias, em regra, estão associadas ao direito de voto nas assembleias da companhia e têm papel importante na estrutura de controle societário.
Isso faz com que a AZEV3 tenha uma característica que a diferencia da AZEV4: o componente de controle e governança corporativa.
É justamente por isso que simplesmente comparar R$ 9 com R$ 1,51 pode levar a uma conclusão errada.
A AZEV3 e a AZEV4 não são duas empresas diferentes.
São duas classes de ações da mesma companhia.
E O QUE É AZEV4?
A AZEV4 representa as ações preferenciais da Azevedo & Travassos.
As ações preferenciais possuem características econômicas diferentes das ordinárias e, dependendo do estatuto e da legislação aplicável, podem contar com preferências relacionadas à distribuição de proventos.
No caso da Azevedo & Travassos, fontes de mercado classificam AZEV3 como ON e AZEV4 como PN.
Portanto, a primeira conclusão é:
AZEV3 ≠ AZEV4.
Elas pertencem à mesma empresa, mas não são exatamente o mesmo tipo de ação.
MAS POR QUE A DIFERENÇA DE PREÇO É TÃO GRANDE?
Aqui está o ponto mais interessante.
Segundo os dados da B3, a companhia possui aproximadamente:
- 37,9 milhões de ações ordinárias
- 73,3 milhões de ações preferenciais
- 111,2 milhões de ações no total
Ou seja, existem quase duas vezes mais ações preferenciais do que ordinárias.
Isso é extremamente importante para entender a diferença de preço.
Imagine duas pizzas.
Uma foi dividida em 38 pedaços.
A outra em 73 pedaços.
Mesmo que as duas pizzas pertençam à mesma empresa, cada pedaço não necessariamente terá o mesmo preço, porque existem características diferentes e quantidades diferentes de ações.
Por isso, comparar simplesmente: “AZEV4 custa R$ 1,51 e AZEV3 custa R$ 9, então AZEV4 está seis vezes mais barata”é uma conclusão simplista.
O investidor precisa olhar a empresa inteira.
A CONTA FICA AINDA MAIS INTERESSANTE
Se utilizarmos os preços de fechamento de 3 de setembro e as quantidades de ações divulgadas pela B3, temos uma aproximação do valor de mercado de cada classe.
AZEV3
37,9 milhões de ações × R$ 9,00
≈ R$ 341 milhões
AZEV4
73,3 milhões de ações × R$ 1,51
≈ R$ 111 milhões
Somando as duas classes, chegamos a aproximadamente R$ 452 milhões de valor de mercado utilizando essas cotações como referência.
Isso mostra por que o preço individual da ação pode enganar.
O que interessa não é apenas quanto custa uma ação.
É necessário considerar quantas ações existem e qual participação cada classe representa na companhia.
E TEM MAIS: AZEV3 ACABOU DE PASSAR POR UMA ALTÍSSIMA VOLATILIDADE
A movimentação recente da AZEV3 foi impressionante.
Em 27 de agosto, a ação fechou a R$ 8,21.
No dia seguinte, despencou 49,94%, encerrando a R$ 4,11.
Depois veio uma sequência de fortes altas:
31/08: +32,60%
01/09: +24,77%
03/09: +35,54%
No fechamento de 3 de setembro, AZEV3 chegou a R$ 9,00.
Ou seja: quem olhar apenas para o gráfico pode ter a impressão de que existe uma tendência linear de alta.
Mas os próprios movimentos recentes mostram algo completamente diferente: a volatilidade é gigantesca.
Isso muda completamente a análise de risco.
AZEV4 TAMBÉM SE MOVIMENTOU, MAS EM OUTRA ESCALA
A AZEV4 fechou 3 de setembro em R$ 1,51, enquanto AZEV3 fechou a R$ 9,00.
Essa diferença cria uma das perguntas mais interessantes para o investidor:
Por que o mercado aceita pagar tanto mais por uma ação ordinária da mesma empresa?
A resposta pode envolver diversos fatores:
- direitos societários;
- estrutura de controle;
- quantidade de ações disponíveis;
- liquidez;
- demanda específica por cada classe;
- percepção do mercado;
- arbitragem entre classes;
- expectativa em relação ao futuro da companhia.
Portanto, não existe uma única explicação baseada apenas na cotação.
A AZEV3 ESTÁ CARA POR CUSTAR R$ 9?
Não necessariamente.
Esse é um dos erros mais comuns entre investidores iniciantes.
Uma ação de R$ 1 pode estar muito mais cara que uma ação de R$ 10.
Tudo depende do tamanho da empresa, quantidade de ações, lucro, patrimônio, dívida, geração de caixa e expectativas futuras.
É exatamente por isso que preço da ação não deve ser confundido com valuation.
No caso de AZEV3 e AZEV4, essa diferença fica ainda mais evidente porque as duas classes possuem características societárias distintas.
E A EMPRESA ESTÁ CRESCENDO?
Aqui aparece outro elemento importante da história.
Nos resultados do segundo trimestre de 2026, a Azevedo & Travassos apresentou receita bruta de R$ 200,4 milhões, crescimento de 23,2% sobre o primeiro trimestre e de 127,5% sobre o segundo trimestre de 2025.
O lucro bruto foi de R$ 25,1 milhões, com margem bruta de 13,7%.
O EBIT chegou a R$ 11,4 milhões, enquanto o lucro líquido ficou em R$ 1,3 milhão no trimestre.
No primeiro semestre, o lucro líquido acumulado chegou a aproximadamente R$ 2,3 milhões.
E aqui aparece outro ponto que merece atenção.
A receita cresceu muito.
Mas o lucro líquido ainda é relativamente pequeno.
Isso significa que a tese não depende simplesmente de a companhia faturar mais.
Ela precisa transformar esse crescimento em margens, geração de caixa e lucro de maneira consistente.
R$ 3,6 BILHÕES EM BACKLOG
Outro número que chama atenção é o backlog.
A empresa informou um backlog de aproximadamente R$ 3,6 bilhões.
Backlog representa, de forma simplificada, receitas contratadas que ainda serão executadas ao longo do tempo.
Isso é muito diferente de simplesmente dizer que a empresa possui R$ 3,6 bilhões em dinheiro.
O backlog precisa ser executado.
E, durante essa execução, existem custos, despesas, necessidade de capital e riscos operacionais.
Ainda assim, uma carteira contratada desse tamanho é um dos elementos importantes para acompanhar a evolução da companhia.
E O PIPELINE CHEGA A R$ 36,8 BILHÕES
Se o backlog já chama atenção, o pipeline é ainda maior.
No 2T26, a companhia reportou um pipeline de aproximadamente R$ 36,8 bilhões.
Mas existe uma diferença fundamental:
backlog não é pipeline.
Backlog está relacionado aos contratos já contratados.
Pipeline representa oportunidades, propostas e projetos em diferentes estágios.
Portanto:
R$ 36,8 bilhões não significa R$ 36,8 bilhões de receita garantida.
Esse dinheiro só se transforma em receita caso os projetos avancem, sejam contratados e executados.
Essa distinção é fundamental para não transformar uma expectativa em realidade antes da hora.
ROTA MOGIANA PODE SER OUTRO GRANDE CAPÍTULO
A estratégia da Azevedo & Travassos também envolve concessões de infraestrutura.
A companhia destacou a conquista da Rota Mogiana, um ativo com horizonte de 30 anos.
Documentos da companhia indicaram a necessidade de aproximadamente R$ 250 milhões de capital na concessionária ao longo do tempo.
Isso mostra ao mesmo tempo: oportunidade e necessidade de capital.
De um lado, uma concessão de longo prazo pode representar uma nova fonte de geração de valor.
De outro, projetos dessa dimensão exigem investimentos relevantes e execução disciplinada.
O AUMENTO DE CAPITAL TAMBÉM É PARTE DA HISTÓRIA
Em 2026, a companhia aprovou uma operação de aumento de capital que poderia chegar a R$ 300 milhões, com emissão de novas ações ordinárias e preferenciais.
Além disso, houve uma operação de grupamento de ações de 20 para 1.
Esses eventos são importantes porque alteram a estrutura de quantidade de ações e precisam ser considerados quando o investidor compara preços históricos.
A B3 atualmente registra cerca de 111,2 milhões de ações da companhia, sendo aproximadamente 37,9 milhões ordinárias e 73,3 milhões preferenciais.
Por isso, comparar preços antigos com os atuais sem considerar os eventos societários pode gerar interpretações completamente erradas.
ENTÃO AZEV3 OU AZEV4?
Essa é provavelmente a pergunta que trouxe você até aqui.
E a resposta mais responsável é: não dá para escolher simplesmente olhando qual custa menos.
A AZEV4 custa muito menos por ação.
Mas isso não significa automaticamente que esteja mais barata em termos de valuation.
A AZEV3 custa muito mais por ação.
Mas isso também não significa automaticamente que esteja cara.
O investidor precisa comparar: valor de mercado + quantidade de ações + direitos de cada classe + liquidez + perspectivas de lucro + geração de caixa + riscos + estrutura de capital.
E existe outro detalhe importante: a diferença de preço entre AZEV3 e AZEV4 é tão grande que merece ser acompanhada de perto.
Não necessariamente porque uma esteja errada e a outra certa, mas porque o mercado está atribuindo valores muito diferentes às duas classes.
O GRANDE RISCO DA HISTÓRIA
Existe uma característica que não pode ser ignorada: a volatilidade.
A AZEV3 mostrou recentemente movimentos de dezenas de pontos percentuais em poucos pregões.
Isso significa que uma análise baseada apenas em: “subiu muito” ou “está barata porque custa R$ 1,51” é insuficiente.
A companhia está passando por uma fase de transformação, expansão operacional e novos projetos.
Mas ainda existe o desafio de transformar: backlog → receita → margem → lucro → caixa.
E essa é provavelmente uma das principais questões para acompanhar nos próximos resultados.
CONCLUSÃO: O QUE REALMENTE IMPORTA EM AZEV3 E AZEV4?
A diferença entre AZEV3 e AZEV4 é muito maior do que simplesmente R$ 9 contra R$ 1,51.
AZEV3 é ação ordinária.
AZEV4 é ação preferencial.
Existem quantidades diferentes de cada classe.
Existem direitos diferentes.
Existe uma diferença enorme de preço.
E o mercado está atribuindo valores muito diferentes a cada classe.
Ao mesmo tempo, a Azevedo & Travassos apresenta uma história de crescimento operacional, com receita bruta de R$ 200,4 milhões no 2T26, backlog de R$ 3,6 bilhões e pipeline de R$ 36,8 bilhões.
Mas existe um detalhe que não pode ser ignorado: o lucro líquido ainda foi de apenas R$ 1,3 milhão no trimestre.
É justamente aí que está o grande desafio da tese.
A empresa precisa provar que consegue transformar o crescimento dos contratos e da receita em lucros e geração de caixa recorrentes.
Portanto, talvez a pergunta mais interessante não seja: “AZEV3 ou AZEV4, qual custa menos?”
Mas sim: “Por que o mercado está pagando quase seis vezes mais por uma classe de ação da mesma companhia — e essa diferença faz sentido?”
Essa é a questão que merece ser acompanhada nos próximos resultados.
Ri Azevedo Travassos Energia: https://www.azevedotravassosenergia.com.br/
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.


