Natura sobe mesmo prevendo queda na receita e aluguel das ações dispara para 147% ao ano

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JOAO PAULO RIBEIRO CLARA
"Fundador e Diretor Editorial do portal Plotos.com e do respectivo canal de análises. Profissional certificado CEA® (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) , possui pós-graduação em...
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Natura NATU3

NATU3 desafia a lógica do mercado após prévia fraca do 2T26

Em um movimento que chamou a atenção dos investidores nesta terça-feira (8), as ações da Natura (NATU3) chegaram a subir mais de 6% mesmo após a companhia divulgar uma prévia operacional indicando queda relevante na receita do segundo trimestre de 2026.

A empresa estima receita líquida consolidada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões no período, representando uma retração anual entre 9% e 10%.

Em condições normais, um número desse porte poderia provocar uma forte realização nas ações. E foi exatamente isso que aconteceu nos primeiros minutos do pregão, quando NATU3 chegou a cair mais de 4%.

Mas então algo mudou.

Os papéis inverteram completamente a direção e passaram a liderar as altas do Ibovespa, levantando uma pergunta inevitável:

Por que uma ação sobe quando os números decepcionam?

O mercado estava mais pessimista do que os resultados?

Parte da explicação pode estar no elevado nível de posições vendidas montadas contra a companhia.

Segundo analistas do JP Morgan, a Natura continua apresentando um dos maiores níveis de short interest entre as empresas de consumo da bolsa brasileira.

Quando muitos investidores apostam na queda de uma ação, qualquer notícia que não seja tão negativa quanto o esperado pode gerar um efeito conhecido como “short covering”, quando vendidos precisam recomprar ações para encerrar suas posições.

Esse movimento cria uma demanda repentina que impulsiona as cotações.

O dado que mais chamou atenção: aluguel de ações a 147% ao ano

Se a alta da ação surpreendeu, o mercado de aluguel chamou ainda mais atenção.

Nos últimos dias, a taxa de aluguel de NATU3 chegou próxima de 147% ao ano, um dos maiores níveis observados recentemente na B3.

Na prática, isso significa que investidores dispostos a apostar na queda da companhia precisam pagar um custo extremamente elevado para manter suas posições vendidas.

Taxas dessa magnitude costumam indicar três fatores:

  • Forte concentração de investidores apostando na queda;
  • Escassez de ações disponíveis para aluguel;
  • Expectativa de elevada volatilidade.

Em outras palavras, o mercado parece dividido entre quem acredita em uma recuperação e quem continua enxergando riscos relevantes para a empresa.

JP Morgan mantém recomendação de compra, mas aumenta cautela

Apesar dos desafios operacionais, o JP Morgan manteve recomendação Overweight (equivalente à compra) para NATU3.

Os analistas destacam que a Natura continua negociando a múltiplos considerados baixos:

  • 8,5 vezes o lucro projetado para 2026;
  • 6,5 vezes o lucro projetado para 2027;
  • FCF Yield estimado em cerca de 13%.

Na visão do banco, esses números ainda oferecem uma relação risco-retorno interessante para investidores de longo prazo.

Por outro lado, a instituição elevou o tom de preocupação com a execução operacional da companhia.

O problema pode ser maior do que parece

O principal ponto de atenção continua sendo a implementação do sistema SAP e os problemas de disponibilidade de produtos observados nos últimos meses.

Segundo o JP Morgan, o comunicado divulgado pela companhia não esclareceu se essas dificuldades já foram totalmente resolvidas.

Essa ausência de visibilidade aumenta o risco de revisões negativas nas estimativas para os próximos trimestres.

A chegada da Advent pode mudar a história?

Outro fator observado pelo mercado é a crescente influência da Advent na governança da Natura.

Após adquirir participação relevante na companhia, a gestora garantiu assentos no conselho de administração e poderá influenciar futuras decisões estratégicas.

Parte dos investidores aposta que mudanças operacionais, revisão de processos e maior disciplina financeira possam acelerar uma recuperação nos próximos anos.

O que o mercado está realmente precificando?

O caso da Natura mostra um fenômeno comum nos mercados financeiros:

Nem sempre ações sobem por causa dos resultados.

Às vezes, elas sobem porque o mercado já esperava algo ainda pior.

A forte posição vendida, combinada com uma taxa de aluguel que chegou a impressionantes 147% ao ano, sugere que NATU3 se tornou uma das apostas mais controversas da Bolsa brasileira neste momento.

Agora, todas as atenções se voltam para a divulgação completa dos resultados do segundo trimestre, prevista para agosto.

Será que a Natura está diante de uma oportunidade de recuperação ou apenas de um alívio temporário em uma tendência ainda desafiadora?

O próximo balanço pode dar a resposta.

Ri Natura: https://ri.natura.com.br/

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"Fundador e Diretor Editorial do portal Plotos.com e do respectivo canal de análises. Profissional certificado CEA® (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) , possui pós-graduação em Ciência de Dados aplicada ao Mercado Financeiro, somando mais de 15 anos de sólida trajetória no setor de capitais. Especialista na intersecção entre modelos quantitativos e análise fundamentalista, dedica-se a traduzir a complexidade dos dados em inteligência estratégica para investidores. Sua atuação é pautada pelo rigor técnico e pela transparência, fornecendo uma visão profunda sobre a dinâmica dos ativos listados na B3 e as tendências do cenário macroeconômico global."
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