ROMI3 e resultados 4T25: lucro cai 18%, mas carteira de pedidos cresce 15%

Por
JOAO PAULO RIBEIRO CLARA
"Fundador e Diretor Editorial do portal Plotos.com e do respectivo canal de análises. Profissional certificado CEA® (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) , possui pós-graduação em...
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ROMI3 reporta lucro de R$ 40,4 milhões no 4T25, com crescimento da carteira de pedidos puxado pela B+W

A relação entre ROMI3 e resultados 4T25 entrou no radar do mercado após a divulgação do balanço da companhia. A Romi registrou lucro líquido ajustado de R$ 40,4 milhões no quarto trimestre de 2025, o que representa queda de 18,1% em relação ao mesmo período de 2024.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, porém, o lucro avançou 47,2%, indicando recuperação sequencial.

No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado somou R$ 93,2 milhões, levemente abaixo dos R$ 96,8 milhões registrados em 2024.


Juros pressionam demanda por máquinas

A Romi é líder no mercado brasileiro de máquinas e equipamentos industriais, mas vem enfrentando um cenário desafiador.

Os juros elevados e as incertezas econômicas impactaram diretamente a demanda por bens de capital ao longo de 2025. A unidade de Máquinas Romi registrou queda de 12,8% na entrada de pedidos no ano.

Para mitigar esse ambiente adverso, a companhia intensificou:

  • A estratégia de locação de máquinas
  • O desenvolvimento de produtos mais tecnológicos
  • A expansão internacional por meio da subsidiária alemã

Mercado externo ganha protagonismo

Um dos principais destaques envolvendo ROMI3 e resultados 4T25 foi o desempenho da subsidiária alemã B+W.

Os pedidos realizados à B+W cresceram 53,8% em 2025, ajudando a sustentar tanto a geração de receita quanto o crescimento da carteira de pedidos.

Ao final do ano, a carteira consolidada atingiu R$ 750,4 milhões, alta de 15,1% na comparação anual.

A composição ficou da seguinte forma:

  • Máquinas Romi: R$ 200,2 milhões (-14,6%)
  • Máquinas B+W: R$ 494,6 milhões (+39,0%)
  • Fundidos e Usinados: R$ 55,5 milhões (-9,6%)

Segundo a companhia, o crescimento reflete “forte demanda por soluções de alta complexidade e customizadas”.


Receita e Ebitda recuam no trimestre

A receita operacional líquida da Romi totalizou R$ 388,2 milhões no 4T25, queda de 15,3% na comparação anual.

No acumulado de 2025, porém, a receita cresceu 8,1%, atingindo R$ 1,326 bilhão, impulsionada principalmente pelas operações internacionais.

Com isso, o mercado externo passou a representar 35% da receita consolidada, ante 31% no ano anterior.

Já o Ebitda ajustado foi de R$ 66,2 milhões no trimestre, com margem de 17%. No acumulado do ano, o indicador somou R$ 149,9 milhões, recuo de 2,8% frente a 2024.


Margem bruta mostra melhora

Apesar da pressão sobre receita e lucro, a margem bruta do quarto trimestre atingiu 32,1%, avanço de 1,9 ponto percentual em relação ao 4T24.

Segundo a empresa, o desempenho foi impactado por:

  • Redução no faturamento de peças fundidas e usinadas
  • Distribuição diferente das entregas da B+W ao longo do ano
  • Mix de produtos com maior valor agregado

A companhia afirmou que os resultados do trimestre foram consistentes e demonstraram resiliência operacional mesmo em ambiente macroeconômico desafiador.


O que o mercado observa em ROMI3

A dinâmica entre ROMI3 e resultados 4T25 mostra uma empresa pressionada pelo ciclo de juros altos, mas com diversificação internacional ajudando a compensar parte da fraqueza doméstica.

Investidores tendem a acompanhar:

  • Evolução da carteira de pedidos
  • Ritmo de recuperação da demanda interna
  • Impacto de eventual queda da Selic
  • Sustentabilidade das margens

Caso o ciclo de juros entre em fase de queda ao longo de 2026, a demanda por máquinas industriais pode ganhar tração, beneficiando empresas de bens de capital.


Conclusão

A Romi encerrou 2025 com lucro levemente inferior ao ano anterior, mas com crescimento relevante da carteira de pedidos, puxada pelo mercado externo.

O cenário ainda é desafiador no Brasil, mas a atuação internacional e o foco em soluções de maior complexidade ajudam a sustentar a operação.

A trajetória da ação ROMI3 nos próximos trimestres deve depender principalmente da evolução do cenário macroeconômico e da retomada dos investimentos industriais.

Perspectivas para 2026

Outro ponto relevante na análise de ROMI3 e resultados 4T25 é a expectativa para 2026. A empresa entra no novo exercício com uma carteira de pedidos mais robusta, o que garante maior previsibilidade de receita no curto prazo. No entanto, a retomada mais consistente do segmento de máquinas no Brasil ainda depende de melhora no ambiente macroeconômico, especialmente da redução do custo do crédito e da recuperação da confiança empresarial. Caso haja flexibilização monetária ao longo do ano, o setor de bens de capital pode voltar a acelerar investimentos, criando um ambiente mais favorável para a companhia ampliar margens e recompor o crescimento do lucro.

A leitura do mercado sobre ROMI3 e resultados 4T25 também passa pela capacidade da companhia de preservar rentabilidade mesmo em um ciclo econômico adverso. Apesar da retração do lucro na comparação anual, a melhora sequencial e o avanço da carteira de pedidos indicam que a empresa mantém fundamentos operacionais sólidos. Para investidores de médio e longo prazo, o foco tende a estar menos no desempenho isolado de um trimestre e mais na trajetória de recuperação da demanda industrial e na consistência da execução estratégica ao longo de 2026.

A análise de ROMI3 e resultados 4T25 mostra que, apesar do impacto dos juros elevados sobre a demanda doméstica, a companhia conseguiu manter níveis relevantes de rentabilidade operacional. A diversificação geográfica e o avanço da subsidiária alemã ajudaram a suavizar o ciclo negativo no Brasil, reforçando a importância da estratégia internacional adotada nos últimos anos.

Além disso, quando se observa ROMI3 e resultados 4T25 sob a ótica de ciclo econômico, fica evidente que a empresa está posicionada para capturar uma eventual retomada do investimento industrial. Com carteira de pedidos mais elevada e foco em produtos de maior valor agregado, a Romi entra em 2026 com base operacional mais previsível, ainda que dependente da evolução do cenário macroeconômico.

RI Romi3

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"Fundador e Diretor Editorial do portal Plotos.com e do respectivo canal de análises. Profissional certificado CEA® (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) , possui pós-graduação em Ciência de Dados aplicada ao Mercado Financeiro, somando mais de 15 anos de sólida trajetória no setor de capitais. Especialista na intersecção entre modelos quantitativos e análise fundamentalista, dedica-se a traduzir a complexidade dos dados em inteligência estratégica para investidores. Sua atuação é pautada pelo rigor técnico e pela transparência, fornecendo uma visão profunda sobre a dinâmica dos ativos listados na B3 e as tendências do cenário macroeconômico global."
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