A situação da Raízen (RAIZ4) ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (12), após uma sequência de rebaixamentos de rating que elevou o nível de preocupação do mercado. Como consequência, a S&P Global Ratings revisou a perspectiva da Cosan (CSAN3) de estável para negativa, mantendo, porém, a nota em “BB”.
O movimento acontece após a Raízen ser rebaixada para a faixa considerada de alto risco, aumentando as incertezas sobre sua estrutura de capital e levantando questionamentos sobre possíveis reflexos na controladora.
RAIZ4 Afunda e entra em território de alto risco
Nos últimos dias, as principais agências de classificação de risco adotaram uma postura mais dura em relação à Raízen. A S&P reduziu a nota da companhia para “CCC+”, colocando ainda os ratings em observação com implicações negativas.
A Fitch também realizou cortes consecutivos, levando a empresa para a faixa “CCC”. Já a Moody’s Local Brasil rebaixou o rating corporativo para “CCC+.Br” e colocou a avaliação em revisão para possível novo rebaixamento.
Na prática, essas classificações indicam que o mercado passou a enxergar maior probabilidade de reestruturação da dívida, principalmente após a companhia anunciar a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas de capital e liquidez.
Por que a Cosan (CSAN3) entrou no radar?
A Cosan é controladora da Raízen em joint venture com a Shell. Com o enfraquecimento do perfil de crédito da RAIZ4, a S&P passou a avaliar que podem surgir riscos indiretos para a holding.
Segundo a agência, ainda não há expectativa de impacto imediato no caixa ou aceleração automática de dívidas, mas a possível reestruturação pode reduzir a flexibilidade financeira da Cosan e afetar a percepção de risco do grupo.
A revisão da perspectiva para negativa reflete justamente essas incertezas em torno da estrutura de capital da Raízen e seus potenciais desdobramentos.
Endividamento elevado pressiona RAIZ4
O pano de fundo da deterioração do rating é o nível de alavancagem. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida da Raízen alcançou aproximadamente R$ 53,4 bilhões, representando crescimento expressivo em relação ao ano anterior.
Esse aumento no endividamento reduziu o conforto das agências de risco e elevou o grau de incerteza sobre a capacidade da companhia de administrar sua estrutura financeira sem ajustes mais profundos.
Reação do mercado
A piora no cenário de crédito teve reflexo imediato na Bolsa. As ações RAIZ4 registraram forte queda, negociadas próximas à faixa de centavos, enquanto CSAN3 também operou em baixa no Ibovespa.
O movimento mostra que o mercado já precifica um cenário mais desafiador para o grupo, principalmente diante do risco de reestruturação e das incertezas sobre governança e política financeira.
O que o investidor deve acompanhar agora?
Os próximos passos da administração serão determinantes. A contratação de assessores financeiros e jurídicos indica que a companhia avalia alternativas estratégicas, mas ainda não há definição concreta sobre medidas a serem adotadas.
Para o investidor, o foco deve estar em:
- Evolução da dívida e geração de caixa;
- Possível reestruturação ou alongamento de passivos;
- Impactos indiretos na Cosan (CSAN3);
- Novas revisões de rating pelas agências.
Enquanto não houver maior clareza sobre o plano financeiro, o cenário para RAIZ4 segue marcado por volatilidade elevada e risco acima da média.



